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Corria a balsa pelo calmo mar. Som de ondas entram em meus ouvidos. E eu querendo te encontrar. Mas você não vinha, não vinha, não vinha, não vinha. Noite aberta arrebata meus olhos. Travesseiro, panos pelo chão. Cobertor, cama, rádio ligado na cozinha. Mas você não vinha, não vinha, não vinha. Tolices, pensamentos vãos. Memórias rápidas, Vênus, Plutão. Inventaram um planeta outro dia. Mas você não vinha, não vinha. Não vou mais ficar aqui deitado, nem sonhar com o fim de tudo, o futuro. Vou correr mesmo que desajeitado, mergulhar ainda que pareça esdrúxulo. E você virá de uma forma ou outra. Nem que seja para dizer adeus. Você virá e lembrará da noite em que não tivemos de ser tão ateus. Mas nos mistérios daquela noite junina você não vinha.

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Entre gritos e gemidos, salvam-se tolos.

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